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Brasil

Lençóis Maranhenses

Um deserto que não é deserto: um campo de dunas de areia branca do tamanho de uma cidade, no litoral do Maranhão, com milhares de lagoas de água doce e transparente que se formam entre as areias.

9roteiros de um dia32passeios curados16restaurantes4regiões pra ficar
Foto: acervo Volá

O destino

Por que os Lençóis Maranhenses

Um deserto que não é deserto: um campo de dunas de areia branca do tamanho de uma cidade, no litoral do Maranhão, com milhares de lagoas de água doce e transparente que se formam entre as areias. A paisagem é de outro planeta, mas o que a faz única depende de uma coisa só, o calendário: as lagoas enchem depois das chuvas e secam no resto do ano, então o Lençóis mais famoso das fotos existe numa janela de meses, não o ano inteiro. Barreirinhas é a base fácil, à beira do Rio Preguiças, de onde saem os jipes para os circuitos das lagoas e as lanchas rio abaixo. Atins, na foz do rio, é a vila rústica-chique de pé na areia, de kitesurf e camarão fresco. Santo Amaro é a entrada por trás, das lagoas sem multidão. E tudo começa por São Luís, a capital colonial de azulejo e reggae que é a porta aérea. Não é destino de asfalto e conforto de resort: aqui se anda de jipe na areia, dorme-se em pousada simples e troca-se o luxo pela paisagem. Quem entende a troca sai com a viagem da vida.

Quando ir

Esta é a decisão que faz ou quebra a viagem. As lagoas dos Lençóis não são permanentes: elas se formam com a água da chuva, que cai de janeiro a maio, e vão secando ao longo do segundo semestre. A janela boa, com as lagoas cheias e azuis, vai mais ou menos de maio a setembro, com o pico de junho a agosto, quando estão mais fundas e mais numerosas. Julho é o mês cheio por excelência, coincidindo com a alta das férias escolares. De setembro em diante o nível cai; entre outubro e dezembro muitas lagoas secam e a paisagem vira só areia, ainda impressionante, mas sem o espelho de água das fotos. Ir de janeiro a abril é arriscado: chove, e embora as lagoas comecem a encher, o tempo fechado atrapalha os passeios. Regra simples: quem vem pelas lagoas cheias vem entre maio e setembro, e de preferência entre junho e agosto. Em junho ainda pega o São João maranhense, com o bumba meu boi tomando São Luís.

Lençóis Maranhenses
Foto: acervo Volá

Roteiros de um dia

9 dias já montados nos Lençóis Maranhenses

Cada um é um dia inteiro, pensado por quem já foi: o que ver, em que ordem, onde parar pra comer. Filtre pelo tipo de dia que combina com o grupo de vocês.

O clássico dos Lençóis num dia
Dia cheio

O clássico dos Lençóis num dia

O dia que resume a viagem, e só funciona de maio a setembro, com as lagoas cheias. Comece pelo Circuito Lagoa Azul de manhã, com o jipe entrando nas dunas e o banho na água doce, almoce à beira-rio no Terral Restaurante ao voltar, e feche a tarde no Circuito Lagoa Bonita, subindo a duna para o pôr do sol mais bonito do parque. É puxado e cheio de areia, mas entrega os dois cartões-postais no mesmo dia. Fora da estação cheia, as lagoas secam; cheque antes de vir.

  • 1Circuito Lagoa Azul de 4x4
  • 2Terral Restaurante
  • 3Circuito Lagoa Bonita ao pôr do sol
O dia do Rio Preguiças
Dia cheio

O dia do Rio Preguiças

O dia leve do roteiro, que corre o ano inteiro e não depende das chuvas. A lancha desce o Rio Preguiças pela manhã, para no farol de Mandacaru para a vista do alto, e segue até Caburé, onde o rio encontra o mar e se almoça peixe fresco com banho de rio e de mar. É passeio sem esforço, bom com criança, para ver a paisagem do litoral maranhense da água. Volte no fim da tarde. Leve chapéu e protetor; o sol no rio não perdoa.

  • 1Passeio de lancha pelo Rio Preguiças
  • 2Farol de Mandacaru
  • 3Caburé: o encontro do rio com o mar
Barreirinhas com as crianças
Com criança

Barreirinhas com as crianças

Um dia no ritmo dos pequenos, sem a canseira das dunas. De manhã, a flutuação no Rio Formiga, de água cristalina e rasa, onde a criança boia e brinca sem perigo, num cenário de aquário. Almoce a comida regional do Restaurante do Português, farta e para dividir, e passe o fim de tarde na orla do Preguiças, vendo os barcos voltarem. Nenhum trecho puxado, nenhum sol de meio-dia nas areias. Leve boia e roupa de banho para o rio.

  • 1Rio Formiga: flutuação em água cristalina
  • 2Restaurante do Português
  • 3Fim de tarde na orla do Rio Preguiças
Atins pé na areia
Dia cheio

Atins pé na areia

O dia de viver Atins do jeito da vila, na estação cheia das lagoas. De manhã, a caminhada pelas dunas que começam atrás da vila, entrando no parque a pé até as lagoas próximas; ao meio-dia, o camarão fresco dos pescadores no Canto do Atins, o melhor almoço do roteiro; e o fim de tarde subindo as dunas para o pôr do sol no silêncio. É Atins na essência, rústico e bonito. Saia cedo da caminhada, fugindo do calor, com muita água.

  • 1Caminhada nas dunas a partir de Atins
  • 2Canto do Atins: a vila dos pescadores e o camarão
  • 3Lagoa Tropical e Lagoa da Esperança
Atins ao vento
Dia cheio

Atins ao vento

Um dia para quem escolheu Atins pelo vento e pelo sossego, no segundo semestre, quando sopra forte. De manhã, aula ou sessão de kitesurf nas águas rasas da vila; à tarde, uma caminhada pela praia deserta de Atins até o mar aberto; e, para fechar, a rede e a ioga da pousada, no ritmo lento que é o charme do lugar. É Atins como refúgio, não como corrida de passeios. Reserve a aula de kite com escola local e vá com tempo.

  • 1Kitesurf em Atins
  • 2Praia de Atins
  • 3Ioga e descanso nas pousadas de Atins
Santo Amaro, os Lençóis sem multidão
Dia cheio

Santo Amaro, os Lençóis sem multidão

O dia dos Lençóis silenciosos, do lado de Santo Amaro, e só faz sentido de maio a setembro. O jipe percorre o campo de dunas ligando as lagoas mais preservadas, com banho na Lagoa da Gaivota e na Lagoa do Betânia, quase sem ninguém nas areias. É a mesma paisagem irreal dos circuitos famosos, mas com a sensação de ter o parque só para você. Cansa e cobra o dia inteiro no sol; leve muita água e chapéu, e reserve com guia da vila.

  • 1Circuito de 4x4 nas dunas de Santo Amaro
  • 2Lagoa da Gaivota
  • 3Lagoa do Betânia
São Luís a pé num dia
Dia cheio

São Luís a pé num dia

O dia de conhecer a capital, todo no centro histórico e caminhável. De manhã, o passeio a pé pelas ladeiras de azulejo do Projeto Reviver, da Praia Grande ao Palácio dos Leões, com parada na feira da Casa das Tulhas para provar o doce de espécie. Almoce a cozinha regional bem-feita do Restaurante Senac, ali mesmo na Praça Nauro Machado. É a São Luís colonial e saborosa num dia. Vá de manhã cedo, antes do calor apertar nas ladeiras.

  • 1São Luís a pé: o Centro Histórico e o Projeto Reviver
  • 2Casa das Tulhas e a feira da Praia Grande
  • 3Restaurante Senac São Luís
Uma noite de reggae em São Luís
Dia cheio

Uma noite de reggae em São Luís

A noite mais São Luís que existe, na Praia Grande. Jante os petiscos e a cozinha regional do Antigamente, na Rua da Estrela, com as mesas na rua e os casarões iluminados, e deixe a noite escorregar para o reggae que a cidade adotou como trilha sonora, entre os bares e as radiolas do centro histórico. É programa de adulto, boêmio e cheio de identidade. Vá jantar cedo e fique para a música; a Praia Grande só melhora à noite.

  • 1Antigamente
  • 2Reggae em São Luís, a Jamaica brasileira
São Luís com as crianças
Com criança

São Luís com as crianças

Um dia de cidade no ritmo da família, sem ladeira demais. A tarde na orla, entre a Ponta d'Areia e a praia do Calhau, com os quiosques, o forte e o pôr do sol à beira-mar, e o caranguejo para provar. Feche com a carne de sol farta da Cabana do Sol, prato de dividir que agrada a mesa toda. É a São Luís relaxada, boa antes ou depois da estrada dos Lençóis. Vá para a praia no fim da tarde, quando o sol afrouxa.

  • 1Praia do Calhau e Ponta d'Areia
  • 2Cabana do Sol

Onde ficar

4 regiões, 4 jeitos de fazer a viagem

Onde você dorme muda a viagem inteira. Estes são as regiões que valem a base, cada uma com a sua cara.

Barreirinhas

Barreirinhas

Centro / Beira do Rio Preguiças
primeira vezfamílias

A porta de entrada do parque e a base natural de quem chega pela primeira vez: uma cidadezinha à beira do Rio Preguiças, a cerca de quatro horas de São Luís, onde se concentram as pousadas, as agências e o ponto de partida de quase tudo. É daqui que saem os jipes 4x4 para os dois circuitos clássicos das lagoas, o Lagoa Azul e o Lagoa Bonita, e as lanchas que descem o Preguiças até o farol de Mandacaru e a foz. Tem estrutura de sobra para família, restaurante à beira-rio e o conforto possível na região, que é simples. Fique em Barreirinhas se quer o acesso mais fácil aos Lençóis, com a criança e a bagagem perto de tudo, e use a cidade como quartel-general para os passeios de dia inteiro.

Atins

Atins

Vila de Atins / Canto do Atins
charmesossego

A vila rústica-chique dos Lençóis, na foz do Rio Preguiças, onde a areia entra pelas ruas e não há calçada nem, em boa parte, asfalto. Foi vila de pescador, virou refúgio de quem procura pé na areia de verdade: pousadas de charme despojado, restaurante de camarão fresco no Canto do Atins, kitesurf no vento forte e o acesso mais bruto e bonito às dunas, que começam ali atrás. Chega-se de lancha pelo rio ou de jipe pela praia, e é justamente esse isolamento que faz o lugar. Fique em Atins se quer trocar o conforto pela paisagem e pela quietude, dormir ouvindo o vento e acordar com as dunas na porta. Não é para quem precisa de estrutura; é para quem quer o Lençóis mais autêntico.

Santo Amaro do Maranhão

Santo Amaro do Maranhão

Santo Amaro do Maranhão
sossegocusto baixo

A entrada dos Lençóis por trás, do lado oposto a Barreirinhas, para quem quer as lagoas sem a multidão dos jipes. Uma vila pequena e simples, cercada de dunas, de onde se acessam a pé, a cavalo ou de jipe as lagoas mais preservadas do parque, como a da Gaivota e a do Betânia. A estrutura é modesta, o acesso é mais longo e a energia às vezes falta, mas a recompensa é ter as areias quase só para você, com a mesma paisagem irreal e menos gente na foto. Fique em Santo Amaro se já conhece o clássico e quer a versão silenciosa, ou se prefere o contato mais cru com o parque, longe da vitrine turística. Aqui os Lençóis se vivem devagar.

São Luís

São Luís

Centro Histórico / Praia Grande / Reviver
primeira vezgastronomiacharme

A porta de entrada de avião e uma cidade que merece dois ou três dias por conta própria: a capital do Maranhão guarda o maior conjunto de sobrados coloniais de azulejo português das Américas, tombado pela Unesco, no centro histórico do Projeto Reviver. É cidade de ladeira de pedra, fachada azulejada, museu, comida de dendê e camarão, e o berço do reggae no Brasil, que toca nas noites da Praia Grande. A meia hora de barco fica Alcântara, a cidade colonial parada no tempo do outro lado da baía. Fique em São Luís na chegada e na volta, para descansar da estrada e viver a parte urbana e cultural da viagem, que faz contraponto ao deserto. É o único lugar do roteiro com conforto de cidade grande.

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A gente já conhece os Lençóis Maranhenses. Diga com quem você vai e por quantos dias, e o Volá monta o roteiro do jeito de vocês.

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